DIAGNÓSTICO

Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP)

Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP)

O que é?
É o aumento benigno do volume da próstata. A próstata é uma glândula situada na parte inferior da bexiga e anterior ao reto. No seu interior passa a uretra (o canal pelo qual a urina é eliminada do corpo). A função da próstata é, entre outras, fabricar uma porção do esperma (líquido expelido durante a ejaculação). Como a próstata envolve a uretra, um aumento do volume prostático pode impedir a passagem da urina.

Qual o tamanho da próstata?
Durante a infância, a próstata é muito pequena. Quando começa a adolescência, há uma maior produção de hormônios masculinos e, consequentente, a próstata inicia seu aumento. Nesta fase, os caracteres sexuais também surgem: engrossamento de voz, surgimento de pelos pubianos, barba, etc. A próstata tem neste período o tamanho de uma castanha (15-20 gramas). Este crescimento continua durante a vida do indivíduo, em uma velocidade que varia de uma pessoa para outra. Em alguns indivíduos, por motivos não bem conhecidos, a próstata cresce mais rápidamente e, em outros, o aumento é mais lento. Geralmente, após os 50-60 anos, o crescimento prostático apresenta uma aceleração maior. Existem próstatas que atingem volumes importantes, como 200 gramas ou mais.

HBP e câncer são a mesma coisa?
A hiperplasia é um tumor benigno. Entretanto, pode abrigar no seu interior células malignas que podem ser descobertas com o auxílio de exames especiais.

Quais as conseqüências da HBP?
Quando a próstata começa a crescer, ela pode comprimir a uretra, impedindo que a urina saia da bexiga. Várias conseqüências surgem desta situação, como o surgimento de urina residual na bexiga, o aumento da espessura seguido de afinamento da parede vesical, a dilatação dos ureteres (canais que unem os rins à bexiga), e dilatação renal com diminuição da sua função.

É importante que se diga que nem toda HBP leva ao quadro acima. Outros fatores e condições são necessários.

Quais são os sintomas da HBP?
Os principais sintomas da HBP são: jato urinário fraco, jato interrompido, aumento da freqüência das micções com eliminação de pequenos volumes de urina, aumento da freqüência de micções à noite, urgência para urinar com perda, ocasionalmente, de urina na roupa. Estes sintomas podem ocorrer isoladamente ou em conjunto. Podem ser leves, moderados ou severos. Há situações agudas, como a retenção urinária, levando o paciente ao hospital, a fim de que uma sonda seja introduzida na sua uretra, esvaziando assim a bexiga. Nem todos os homens passarão por este quadro.

Como se faz o diagnóstico?
Geralmente os sintomas levam o paciente ao médico. Este, através de uma história clínica, vai classificar o paciente em pouco, leve ou muito sintomático. Um exame físico detalhado, incluindo um toque retal (exame digital através do ânus), é realizado. Exames laboratoriais são geralmente solicitados, incluindo exame qualitativo de urina, urocultura, creatinina e uréia. A dosagem do antígeno prostático específico (PSA) é de vital importância como parte desta avaliação, pois permite a detecção precoce do câncer da próstata.

Exames de imagem, se necessários, serão solicitados como, por exemplo, a ultrassonografia do aparelho urinário e da próstata.

É importante que se diga que os sintomas acima descritos não são específicos da HBP. Eles podem estar presentes na estenose (estreitamento) de uretra, bexiga neurogênica, etc. Logo, uma avaliação criteriosa é importante.

Como se trata a HBP?
A maioria dos pacientes com HBP não requer tratamento. Aqueles pacientes sintomáticos que procuram o urologista serão tratados conforme a severidade dos sintomas. Os pacientes levemente sintomáticos serão acompanhados clinicamente, ficando sob observação. Os moderadamente sintomáticos serão tratados com medicamentos – que impeçam o crescimento prostático ou que relaxem a próstata. Nos pacientes severamente sintomáticos ou naqueles que, por qualquer razão, não possam tomar os medicamentos, está indicada a cirurgia.

A cirurgia pode ser a prostatectomia aberta, na qual é necessária uma incisão no abdômen. É retirada somente a parte central da próstata a qual, justamente, comprime a uretra. As partes periféricas da próstata permanecem. Outro tipo de cirurgia pode ser empregada, como a ressecção transuretral da próstata, na qual todo o procedimento é realizado pela uretra. Como no caso anterior, trata-se de uma cirurgia desobstrutiva.

Vários outros métodos cirúrgicos existem (cirurgia a laser, termoterapia, eletrovaporização, etc), que não são comparáveis em resultados com as cirurgias clássicas. É importante saber que o paciente após a cirurgia para HBP permanece com zonas periféricas da próstata: logo, deve continuar a realizar exames periódicos de prevenção do câncer de próstata.

Como se faz o seguimento do paciente com HBP?
O paciente com HBP assintomática e sem tratamento deverá realizar PSA e toque retal anualmente. O mesmo procedimento também serve para aqueles pacientes sintomáticos e tratados. A HBP não se transforma em câncer de próstata. Entretanto, um paciente pode ter, concomitantemente, HBP e câncer de próstata.

Dr. Marcio Gonçalves de SouzaDr. Marcio Gonçalves de Souza
Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia
Membro da “American Urological Association”
Membro da “Confederación Americana de Urología”

Rua Maranhão, 221 conj. 31
Centro – Poços de Caldas – MG
Telefone: (35) 3721-1477
E-mail: csdclinicasaodomingos@gmail.com

Epicondilite Lateral e Medial do Cotovelo

Epicondilite Lateral e Medial do Cotovelo

DEFINIÇÃO
Epicondilite lateral ou “cotovelo do tenista” é uma degeneração de alguns dos tendões do punho e antebraço. Pode ocorrer um processo inflamatório associado nos tendões e no osso (Epicôndilo do cotovelo), contudo a origem da lesão provém de uma degeneração tendinosa.

A lesão ocorre na origem dos tendões extensores radiais do antebraço. Inicia-se no tendão Extensor Radial Curto e pode acometer também o tendão extensor radial longo.

A epicondilite lateral é uma causa frequente de dor no cotovelo e afeta de 1 a 3% da população adulta anualmente.

FASES DA EPICONDILITE
– Fase inicial – Inflamação da origem dos tendões extensores
– Fase Intermediária – ocorre degeneração dos tendões com microrupturas
– Fase tardia – Degeneração, frouxidão do tendão e em alguns casos fragmentações da porção óssea lateral do cotovelo (fase crônica).

COMO OCORRE
Frequentemente, a epicondilite é resultado do uso e esforço excessivo do antebraço e músculos do punho. Treino inapropriado, técnica mal executada durante a prática esportiva ou mesmo equipamentos inadequados e esforços excessivos durante o trabalho podem contribuir para essa disfunção. Praticantes de esportes de arremesso (tennis, voleibol, etc), trabalhadores braçais ou que exercem movimentos repetitivos com o punho e antebraço podem desenvolver a Epicondilite lateral. O mecanismo de lesão está associado à sua sobrecarga do cotovelo e do punho.

As atividades laborativas, tais como carpintaria e outras atividades que utilizam a mão com frequência, como digitadores, também estão relacionadas à epicondilite.

SINTOMAS
– Dor na face lateral do cotovelo
– Edema da musculatura lateral do cotovelo
– Fraqueza para preensão e elevação de objetos com o punho e cotovelo.

DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é feito, basicamente, observando-se a história do paciente e o exame clínico. A queixa principal é a dor na região do epicôndilo lateral estendendo-se ao dorso do antebraço e a incapacidade para a prática esportiva,
atividades no trabalho e da vida diária.

Os exames de imagem como raio x e ressonância não são fundamentais para o diagnóstico. O exame clínico do paciente é fundamental para o médico fechar o diagnóstico. Nesse, são testados a força de extensão do punho e manobras que provocam dor na origem dos tendões extensores do antebraço.

TRATAMENTO
O tratamento não-cirúrgico é o de escolha e inclui: repouso, fisioterapia, infiltração com cortisona ou plasma rico em plaquetas (PRP) e a utilização de imobilização como tipóia e gesso.

Na primeira fase são usados anti-inflamatórios, técnicas de Fisioterapia e suspensão do esporte ou da atividade causadora da lesão. O repouso do cotovelo é fundamental para que ocorra cicatrização dos tendões extensores.

Técnicas de Fisioterapia como Ultrassom, gelo local e fortalecimento muscular tem se mostrado eficientes.

A infiltração com corticóides pode ser indicada para pacientes que não evoluíram com melhora após a Fisioterapia e medicação oral.

A infiltração deve ser realizada na origem do tendão Extensor Radial Curto. Os resultados são satisfatórios com melhora rápida da dor. Porém, devem ser indicadas no máximo duas infiltrações para cada paciente.

O tratamento cirúrgico é recomendado quando persistem os sintomas, mesmo após várias tentativas de tratamento.

Tanto a técnica cirúrgica aberta quanto a artroscópica com ressecção da área tendinosa degenerada apresenta bons resultados na literatura médica.

EPICONDILITE MEDIAL DO COTOVELO
Também conhecida com “cotovelo do golfista” é uma degeneração tendinosa, semelhante à Epicondilite Lateral que acomete a face interna (medial) do cotovelo. Nessa patologia são afetados a origem dos tendões flexores do antebraço

Comumente afeta os praticantes de natação, golfe e esportes de arremesso. E nos trabalhadores manuais que utilizam em excesso a musculatura flexora do punho de forma contínua e repetitiva.

Ao contrário da Epicondilite lateral, a medial causa dor e inchaço na parte interna do cotovelo. O paciente relata piora da dor ao fletir o punho e ao realizar manobras que tracionem os tendões flexores.

É uma patologia mais rara se comparmos com a Epicondilite lateral e geralmente tem uma tendência maior de se cronificar.

Os princípios de diagnóstico e tratamento seguem a mesma linha da Epicondilite lateral. A indicação de tratamento cirúrgico com ressecção e reinserção dos tendões mediais do cotovelo é feita em último caso. Somente naqueles pacientes que não melhoraram após 6 meses de tratamentos com infiltrações, anti-inflamatórios e Fisioterapia.

Dr. Bruno Groppi
CRM – MG 53037