O nexo causal entre o ambiente laboral e a Sindrome de Burnout

O nexo causal entre o ambiente laboral e a Sindrome de Burnout

Sabemos que o trabalho participa da construção da identidade do ser humano e exerce uma forte influência nos seus comportamentos. Este cenário molda as suas experiências e vivências socioculturais e socioafetivas, perpassando por situações de grande importância para o condicionamento do seu eu, da sua autoestima e dos seus valores.

Na visão psicológica, as atividades laborais provocam diferentes e oscilatórios graus de satisfação e motivação, levando em conta, principalmente, o contexto e forma que os colaboradores desempenham suas responsabilidades.

Nos dias de hoje, é evidente uma preocupação no que se refere a saúde do colaborador, uma vez que o mesmo, para emitir resultados tão exigidos pelas organizações, precisa estar em condições saudáveis, tanto física, como mental e psíquica. Porém, na contra mão, as organizações atuam agressivamente (característica moderna do mundo corporativo), pressionando e cobrando dos seus colaboradores, produtividade e comprometimento quanto ao que se espera deles.

O enfrentamento saudável para toda esta situação, exige-se maturidade e resiliência profissional, mas, caso haja despreparo para tal enfrentamento e para tantos outros desafios impostos pelo ambiente corporativo, o colaborador pode apresentar estado de tensão emocional e estresse crônico, consequenciando assim, na Síndrome de Burnout. Esta Síndrome manifesta em colaboradores que, especialmente, exercem suas funções laborais pautadas nos relacionamentos interpessoais, ou seja, funções que exige contato direto com pessoas de forma intensa e interdependente.

O que temos percebido, é que a Síndrome de Burnout tem sido usada como resposta para externar o estresse crônico provocado pelos sentimentos negativos de angustia, descontentamento e desmotivação no âmbito laboral, como ainda, por decepções e perda de interesse pelo cargo. Este diagnóstico configura-se na despersonalização do ser humano devido à falta de realização pessoal no trabalho, afetando negativamente suas habilidades e relacionamentos intra e interpessoais.

Em muitos casos, o Burnout é percebido como efeito de um desajuste entre as necessidades do colaborador, com os interesses organizacionais. Assim, o ponto de partida, é realizar um diagnóstico de clima organizacional, que permitirá identificar os motivos referentes ao quadro.

Para tanto, vale salientar que a preocupação das organizações com a qualidade de vida no trabalho, deve englobar aspectos de bem-estar e saúde biopsicossocial dos colaboradores, propiciando medidas de prevenção e tratamento, agindo em caráter preventivo, de modo a garantir a saúde do mesmo e os resultados organizacionais.

Sintomatologias Psíquicas da Síndrome de Burnout: Esgotamento físico e emocional, isolamento, agressividade, humor oscilatório, baixa autoestima, lapsos de memória, ansiedade, depressão, dificuldade de concentração e irritabilidade.

Sintomatologias Físicas da Síndrome de Burnout: Dor de cabeça, enxaqueca, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma, e distúrbios gastrintestinais.

Diagnóstico – Para a consolidação do diagnóstico deve-se considerar o histórico do paciente e sua inserção no contexto laboral.

Tratamento – O paciente deverá ser encaminhado para a psicoterapia e, em muitos casos, para tratamento farmacológico.

Orientações – Práticas de exercícios físicos, momentos de lazer e adaptações a novos estilos de vida. Não ingerir álcool ou outras drogas como refúgio do problema.

Faça uma reflexão e avaliação quanto a suas atividades laborais e de que forma estas estão interferindo na sua saúde. Pense ainda, numa nova dinâmica para a execução de suas atividades pessoais e profissionais, como também, nos seus objetivos de vida.

KATIUSCIAKatiuscia Eva Corrêa
Psicóloga Clínica e Organizacional
Especialista em Gestão de Pessoas

kaevacorrea@hotmail.com
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