Câncer de Pulmão! Os benefícios de parar de fumar e o diagnóstico precoce.

Câncer de Pulmão! Os benefícios de parar de fumar e o diagnóstico precoce.

Muitas pessoas sabem que o tabagismo está na origem de 90% dos casos de câncer de pulmão e os fumantes têm cerca de 20 vezes mais risco de desenvolver a doença. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima o surgimento de 28.220 novos casos de câncer de pulmão em 2016 e apresenta um aumento de 2% por ano na sua incidência mundial. O câncer de pulmão é altamente letal, e considerado uma das principais causas de morte evitáveis.

Mortalidade no Brasil é de 24.490, sendo 14.811 homens e 9.675 mulheres.

Para marcar o Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, o CMO- Centro Médico Oncológico, através do Projeto Viver (Programa de Prevenção e Qualidade de Vida) incentiva e orienta a todos os fumantes: os benefícios imediatos para quem deixa de fumar e o novo aliado do diagnóstico precoce – a Tomografia Computadorizada de Baixa Dosagem (TCBD).

Nosso objetivo: “Além de informar que não fumar é o primeiro cuidado para prevenir a doença, é estimular que o tabagista deixe de fumar o quanto antes, já que as vantagens à saúde têm início 20 minutos após ele tomar esta importante decisão”, explica o cirurgião Oncológico, Dr. Nimio Rafael Garcete Balbuena.

O especialista explica que quando a pessoa para de fumar, o corpo reage de forma quase que instantânea. Em 20 minutos a pressão arterial volta ao normal e a frequência do pulso cai aos níveis normais. Em 8 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue chegam aos valores normais e o nível de oxigênio aumenta. Em 24 horas, o risco de se ter um acidente cardíaco relacionado ao fumo diminui. Em 48 horas, as terminações nervosas começam a se recuperar de novo e os sentidos de olfato e paladar melhoram. De duas semanas a três meses, a circulação sanguínea melhora consideravelmente. Caminhar torna-se mais fácil e a função pulmonar melhora em até 30%.

“A partir de um a nove meses, os sintomas comuns em fumantes, como tosse, rouquidão, e falta de ar ficam mais tênues. Os cílios epiteliais iniciam o crescimento e aumentam a capacidade de eliminar muco, limpando os pulmões. A pessoa fica mais disposta para realizar atividades físicas. Em 5 anos, a taxa de mortalidade por câncer de pulmão de uma pessoa que fumou um maço de cigarros por dia diminui em pelo menos 50%. Podemos dizer que em 15 anos, os riscos são praticamente iguais aos de uma pessoa que não fuma. Vale à pena parar de fumar”.

O diagnóstico Precoce
O exame mais comum utilizado é o Raio X de tórax, e que na atualidade está sendo aliado com a Tomografia Computadorizada de Baixa Dosagem (TCBD), que permite o diagnóstico precoce e exerce papel fundamental para a cura da doença. Este exame pode ser comparado ao papel que a mamografia desempenha para a prevenção do câncer de mama.

A TCBD, por sua menor dose de radiação, pode ser repetida frequentemente, de acordo com um protocolo bem estabelecido, para o acompanhamento dos pacientes tabagistas de altos riscos que tem chances de ter câncer de pulmão. Além disso, pode-se detectar outras doenças proveniente do tabagismo.

São indicados a fazer o rastreamento de câncer de pulmão por meio da TCBD, fumantes com maior ou igual a 30 maços ano (número de maços por dia X anos que fumou) e ex-fumantes que cessaram o tabagismo há menos de 15 anos, e com idade entre 55 e 74 anos.

“Para este perfil de pacientes já há evidências na literatura médica de que a Tomografia Computadorizada de Baixa Dosagem (TCBD), como método de rastreamento, possibilita uma redução significativa da mortalidade, de até 20%, por câncer de pulmão, o que é um avanço extremamente importante e animador”.

O diagnóstico precisa ser confirmado com biópsia, que pode ser feita por broncoscopia (exame em que um tubo fino com uma câmera penetra pelas vias aéreas), punções transtorácicas com agulha ou por cirurgia. Quando o resultado do exame anatomopatológico comprova o diagnóstico de câncer de pulmão, são realizados outros exames para saber qual o estágio da doença. O estadiamento pode incluir exames de sangue, tomografia computadorizada do abdômen, cintilografia óssea e ressonância magnética do cérebro. O Pet-CT também pode ser muito útil no estadiamento do câncer de pulmão.

Existem dois tipos principais de câncer de pulmão: carcinoma de pequenas células e de não pequenas células. O carcinoma de não pequenas células corresponde a 85% dos casos e se subdivide em carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células. O tipo mais comum no Brasil e no mundo é o adenocarcinoma e atinge 40% dos doentes.

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Tratamento do Câncer de Pulmão
O tratamento do câncer de pulmão se baseia em cirurgia, tratamento sistêmico (quimioterapia, terapia alvo e imunoterapia) e radioterapia.

Sempre que possível, a cirurgia é realizada na tentativa de se retirar uma parte do pulmão acometido. Atualmente, os procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos, por vídeo (CTVA) são cada vez mais realizados com menor tempo de internação e retorno mais rápido do paciente às suas atividades.

A quimioterapia e a radioterapia são indicadas após a cirurgia para destruir células tumorais microscópicas residuais ou que estejam circulando pelo sangue. A combinação de tratamento sistêmico e radioterapia também pode ser administrada no início do tratamento para reduzir o tumor antes da cirurgia, ou mesmo como tratamento definitivo quando a cirurgia está contraindicada.

Mas o grande avanço dos últimos anos é a imunoterapia.

“Atuando através do bloqueio dos fatores que inibem o sistema imunológico, as medicações imunoterápicas provocam um aumento da resposta imune, estimulando a atuação dos linfócitos e procurando fazer com que eles passem a reconhecer o tumor como um corpo estranho, com isso a destruição da neoplasia”.

Sinais de alerta
A maioria dos pacientes com câncer de pulmão apresenta sintomas relacionados ao próprio aparelho respiratório, tais como tosse, falta de ar, escarro com sangue e dor no peito.

Outros sintomas inespecíficos também podem surgir, entre eles perda de peso e fraqueza. Em poucos casos, cerca de 15%, o tumor é diagnosticado por acaso, quando o paciente realiza exames por outros motivos.

A recomendação é que caso a pessoa apresente um dos sintomas, procure imediatamente um médico.

Nimio Rafael Garcete Balbuena.
Cirurgião Oncológico – CMO
CRM 44 142